Gilberto Fontoura
No Brasil atualmente vivenciamos a era da ética, do vamos mudar
pra melhor, agora evoluiremos, seremos civilizados, fala-se em ética e
moralização, leis e mais leis anticorrupção, como se o País estivesse
renascendo das cinzas e não tivemos ordenamentos jurídicos capazes de
controlar a corrupção desenfreada que estamos passando. Surgem leis e
mais leis, como se isso fosse resolver nossos problemas da noite para o
dia, falta regular isso, falta regular aquilo.
Usa-se o direito comparado e busca-se soluções milagrosas, sempre
querendo colocar um motor de jaguar num fusca, para simplificar o meu
raciocínio. A palavra "compliance", surgida nos Estado Unidos, virou
"modinha". Agora todos precisarão de um programa de "compliance"
começando pelo Brasil. O propósito é de prevenção dos chamados delitos
econômicos empresariais através de uma autorregulação regulada,
exatamente para evitar essa "confusão" ocorrida no Brasil republicano,
onde o público e o privado criaram uma simbiose quase perfeita, muitos
até confundiram o que era público e o que era privado.
No entanto, o Código de Ética brasileiro tem de atender o que os
nortes americanos
chamam de "top dow", ou seja, tem que vir de cima para
baixo. O cumprimento tem que começar por quem manda, começar pelo
"chefe". O "chefe" tem que dar o exemplo e a partir daí estender aos
demais membros da organização Brasil, seja nas empresas privadas ou
públicas. Em todas as esferas sociais. Não existe ética de baixo para
cima, "a tropa é o espelho do chefe", velha máxima da Cavalaria. Ética,
respeito, comprometimento por um Brasil melhor tem que ser assumido por
todos, indistintamente, senão seremos sempre o "país do futuro".
(artigo publicado no Jornal do Comércio, 18/11/2106, http://jcrs.uol.com.br)
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